quinta-feira, 28 de junho de 2012

REUNIÃO DE SOCIALIZAÇÃO DOS PROJETOS DO NEEPDH E PARCEIROS

O NÚCLEO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PARA A PAZ E DIREITOS HUMANOS EM PARCERIA COM O COMITÊ ESTADUAL DE MOBILIZAÇÃO SOCIAL, MAIO DE 2012.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

I Seminário de Sensibilização à Prevenção ao Uso Abusivo de Drogas e os Fenômenos das Violências

O Seminário de Sensibilização à Prevenção ao Uso Abusivo de Drogas e os Fenômenos das Violências que aconteceu ontem 12 de junho na casa da Cultura, estiveram presentes representantes de diversas instituições que se preocupam com o desenvolvimento de políticas públicas que venham à ajudar no combate e prevenção ao uso das Drogas. O encontro é promovido pela Secretaria de Estado da Educação e da Cultura (SEEC) através do Núcleo de Educação do estado para a Paz e Direitos Humanos e é destinado a alunos, pais, profissionais de educação e gestores de escolas integrantes da 13ª Diretoria Regional de Educação (DIRED), profissionais da saúde, assistentes sociais, religioso, conselho tutelar e demais instituições sociais. O Seminário teve como objetivo sensibilizar a comunidade educativa e a sociedade em geral para produzir ações efetivas que previnam o uso de drogas e violências principalmente no âmbito escolar. O evento também pretende socializar as ações dos projetos desenvolvidos pelo Núcleo Estadual de Educação para a Paz e Direitos Humanos e as atividades desenvolvidas em parceria com outras instituições. A diretora da 13ª DIRED, Raimunda Ferreira Freire, realizou a abertura do Seminário ás 9h e 30min, após ser servido um café aos presentes. Na ocasião, a diretora reafirmou o apoio a “todas as iniciativas que busquem preservar a saúde do servidor e evitar que se alastre o uso das drogas que, como uma praga, parece ameaçar a humanidade”. A droga, segundo afirmou a diretora da 13ª DIRED, “é um problema que envolve aspectos pedagógicos, patológicos, policiais, econômicos e, sobretudo, familiares”. Em seguida, o coordenador do Núcleo Estadual de Educação para a Paz e Direitos Humanos professor João Maria Mendonça de Moura, fez uma palestra sobre o tema "Prevenção ao Uso Indevido das Drogas na Família, Escola, Ambiente de Trabalho e Comunidade". Na parte da tarde, houve uma palestra proferida pelo Soldado Ibraim, Coordenador do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD), juntamente com os Soldados F. Silva e Widson que também fazem parte do Programa. O PROERD é desenvolvido nas Escolas Públicas e Particulares, no ,5º ano e 7º ano do Ensino Fundamental, na educação infantil(Proerd Kids) e para adultos com o Proerd para Pais, por policiais militares treinados e preparados para desenvolver o lúdico, através de metodologia especialmente voltada para crianças, adolescentes e adultos. O objetivo é transmitir uma mensagem de valorização à vida, e da importância de manter-se longe das drogas e da violência. Continuando o seminário, o Professor da UERN José Evangelista de Lima, também proferiu uma belíssima palestra direcionada para os professores, focando o tema violência nas escolas. O enceramento do evento aconteceu às 17h, com uma palestra do professor especialista, Eugênio Oliveira, técnico pedagógico da SEEC e membro do NEEPDH, abordando o tema "Prevenção ao Bullying". O evento foi mais uma ação que consta no Plano de trabalho da 13ª DIRED.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Vítima de Bullying tenta se suicidar no Marista

Bem, terça-feira, dia 23 de agosto de 2011 um garoto de 13 anos que sofria muito bullying tentou se jogar do segundo andar do colégio Marista, em Natal/Rn, algumas pessoas falaram que o garoto era "gay" e que ele sofria muita tanto na escola, quanto na sua própria casa, semana passada, um celular( I phone) sumiu no colégio, daí ficaram se perguntando, "quem poderia ter feito isso?", daí segunda feira ele apareceu com um I phone, começaram a o chamar de ladrão, entre outras coisas, até que na terça, o garoto pediu para ir ao banheiro, no horário de aula, e no meio do caminho, se jogou do segundo andar, isso pode até ser comum em grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, mas aqui em Natal/Rn casos de Bullying não são nada comuns, o que acha disso?

Atendimento Educacional Especializado tem processo de avaliação

A Secretaria Estadual da Educação faz processo avaliativo dos trabalhos de conclusão do curso de especialização para 49 professores no Atendimento Educacional Especializado (AEE). O processo avaliativo, ocorrido na quinta-feira (2), faz parte de parceria entre a SEEC, a Universidade Estadual de Maringá (PR) e o Ministério da Educação.



A Rede Estadual de Ensino conta com 84 professores especialistas no AEE e disponibiliza 334 salas de recursos multifuncionais, tipos I e II, para o atendimento educacional a estudantes com deficiências, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades (superdotação).



A política de "Educação Inclusiva" requer o "Atendimento Educacional Especializado", oferecendo aos alunos com deficiências as complementações específicas para sua formação e não mais a substituição do ensino regular.



Atendimento Educacional Especializado – AEE



É um serviço da Educação Especial, de caráter complementar ou suplementar, voltado para a formação dos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, considerando as suas necessidades específicas de forma a promover acesso, participação e interação nas atividades escolares.



Ele perpassa todos os níveis, etapas e modalidades de ensino, sem substituí-los, garantindo o direito de todas as crianças, jovens e adultos à educação escolar comum. Ele constitui oferta obrigatória dos sistemas de ensino. Participam do AEE os alunos que dele necessitam. O AEE é realizado no turno inverso ao da sala de aula comum.



A sala de recursos multifuncionais



É o espaço localizado na escola de Educação Básica onde se realiza o Atendimento Educacional Especializado – AEE, e conta com mobiliários, materiais didáticos, recursos pedagógicos e de acessibilidade com equipamentos específicos para os professores realizarem o atendimento de educacional especializado.



A professora Márcia Peixoto, subcoordenadora de Educação Especial da SEEC, destaca o pioneirismo do Rio Grande do Norte no processo de inclusão social no Brasil. Segundo ela, o Estado é hoje referência em questões como o "serviço itinerante" e a "matrícula antecipada".



Para a educadora Aparecida Medeiros, que trabalha como professora itinerante no programa AEE, a especialização vem contribuir significativamente com o aperfeiçoamento do ensino e da aprendizagem.

SEEC vai ampliar o Movimento Escoteiros do Brasil nas escolas

A Secretaria de Estado da Educação e da Cultura está reformulando o convênio com o Movimento Escoteiros do Brasil. A SEEC pretende ampliar e redimensionar o projeto, por meio da lei 9453, sancionada pela Governadora Rosalba Ciarlini em fevereiro do ano passado, com o objetivo de implantar um grupo de escoteiros em cada escola da rede estadual dentro do Projeto Escola Aberta.



Desde 2005, a SEEC mantém uma parceria com o movimento formando grupos nas escolas. No início, o trabalho atendia 1.300 estudantes, chegou a 6 mil e com a reformulação pretende atender 10 mil alunos. Contudo, o presidente do movimento no Rio Grande no Norte, Carlos Pinto Lopes, observa que os grupos são abertos a comunidade e que estudantes de outras escolas inclusive das redes municipal e privada também podem participar.



Este ano, o governo do estado vai investir R$ 880 mil. O convênio tem validade de um ano podendo ser prorrogado. Os recursos são destinados a capacitação e a formação dos educadores na prática do escotismo pedagógico com foco na socialização, autodisciplina, formação do caráter, incentivo a leitura e ao aprendizado.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Prefeitura sanciona lei de combate ao bullying nas escolas de Natal

"Fica o Poder Executivo autorizado a criar o Programa de Enfrentamento ao Bullying nas Escolas do Município de Natal". O trecho diz respeito ao primeiro parágrafo da Lei Nº. 6.283, aprovada pela Câmara Municipal e sancionada pela Prefeitura.

De acordo com o parágrafo único da norma, "entende-se por Bullying ações de violência física e/ou psicológicas, com o intuito de intimidação e/ou agressão, sem motivação evidente praticada por um indivíduo ou grupo, dirigidas a uma ou mais pessoas". O Diário Oficial desta terça-feira (13) traz a informação de que o bullying será classificado pela lei em ocasiões em que haja agressões físicas, comentários pejorativos, expressões ameaçadoras e ou preconceituosos, isolamento social, ameaças físicas e ou sociais, insultos pessoais, além de assédio indução sexual.

Ainda segundo o DOM, o programa tem por objetivo "prevenir e combater o bullying nas escolas, capacitar a equipe pedagógica para implementação de ações de discussão, prevenção e orientação, incluindo aspectos éticos e legais, para lidar com o problema em questão, incluir no Regimento Escolar regras contra o bullying, observar, identificar e analisar praticantes e vítimas de bullying na escola, desenvolver campanhas educativas, informativas e de conscientização, integrar a comunidade, organizações sociais e meios de comunicação nas ações de enfrentamento ao bullying, promover debates e palestras acerca do assunto, orientar pais e familiares para lidar com o assunto, proporcionar apoio as vítimas e agressores".

Para a implantação desta Lei a unidade escolar criará uma equipe multidisciplinar, com a participação de docentes, pais e voluntários para o desenvolvimento de atividades didáticas, informativas de orientação, prevenção e combate. A unidade escolar organizará e aprovará um plano, que será incluso no calendário escolar, para a implantação das medidas previstas no programa, podendo a instituição realizar parcerias e convênios para o cumprimento dos objetivos. As vítimas podem ser encaminhadas a assistência médica, social, psicológica e jurídica, ofertadas por esses convênios a serem estabelecidos pelas escolas. A prefeitura dá um prazo de 90 dias para que seja cumprida a lei.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A dura vida dos jovens que vivem na rua

As duas personagens que compõem esta reportagem, trazem consigo histórias de vida que poucos costumam ouvir. Entretanto, elas estão mais próximas do que imaginamos. Basta olhar pela janela do carro, do ônibus. Em algum momento, Sofia ou Pedro (nomes fictícios), poderão lhe pedir uma moeda ou simplesmente limpar seu parabrisas. Eles tem 15 e 16 anos, respectivamente. Hoje, vivem numa das três Casas de Passagem mantidas pela Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas).
Alex RégisO jovem Pedro que vê sua adolescência se perder na rua conta que já roubou e esfaqueou pessoasO jovem Pedro que vê sua adolescência se perder na rua conta que já roubou e esfaqueou pessoas

Sofia perdeu a mãe quando tinha 11 anos. Ela foi assassinada por um homem que comandava uma boca de fumo no Planalto. A menina cresceu em meio aos papelotes de maconha e cocaína que via a mãe embalar, por certas vezes consumir e vender. Após a morte da mãe, ganhou as ruas da cidade. Fez tatuagens, perdeu dentes devido à falta de cuidados básicos com a dentição, deixou de ir à escola. Apanhou, fumou maconha, fugiu da polícia e de quem queria ajudá-la.

Pedro foi abandonado pela mãe na casa de uma vizinha quando tinha seis anos. Anos depois, assistiu à morte do pai, em decorrência do uso abusivo de drogas ilícitas combinadas com álcool. Aos oito anos, escolheu a rua. Ou a rua lhe condenou, por falta de perspectiva em relação ao futuro. Entregou-se ao crack. Roubou, assaltou, "furou" outro adolescente para se manter vivo. "É essa a lei da rua", afirmou. Fugiu da polícia, se fingiu de morto. Analfabetos, Sofia e Pedro são somente dois, dos 120 adolescentes catalogados pela Semtas em situação de risco em Natal.

Através do Serviço Especial de Abordagem Social (Seas), desenvolvido pela Secretaria, foram retirados das ruas e hoje tem a oportunidade de (re)construir, de fato, suas vidas. O olhar cabisbaixo de cada um deles, dá lugar a um semblante de entusiasmo e esperança sempre que questionados sobre o que esperam do futuro. Somente nas Casas de Passagem, que no total são três espalhadas por Natal, a Semtas investe mensalmente cerca de R$ 70 mil (sendo R$ 13 mil em repasses federais).

De acordo com a secretária municipal de Assistência Social adjunta, Verônica Dantas, a maioria das crianças e adolescentes retiradas das ruas hoje, vivem em situações que vão desde a negligência dos pais ou responsáveis à exploração sexual. "A grande parte, entretanto, está envolvida com o crack. O índice de crianças e adolescentes viciados é muito alto", destacou Verônica.

Antes de chegarem às Casas de Passagem, as crianças e adolescente são encaminhadas para os Centros de Referência Especializada em Assistência Social (Creas). Lá, elas recebem apoio de uma equipe formada por educadores, psicólogos e assistentes sociais. Eles trabalham com o objetivo de devolver a criança ou adolescente aos seus respectivos responsáveis. Com a garantia de que serão bem tratadas.

Caso não encontrem nenhum familiar, são encaminhados para a Vara da Infância e Juventude. O juiz, por sua vez, os encaminha para as Casas de Passagem, caso ninguém reclame a responsabilidade de cuidá-los. Alguns deles, inclusive, são disponibilizados para adoção.

Somente na Casa de Passagem III, em Capim Macio, três adolescentes esperam por pais adotivos. As dificuldades, porém, começam quando a coordenadora da Casa, Rejane Maria Bruno, informa a idade deles. "São adolescentes entre 12 e 17 anos. Dois deles são deficientes e um está detido no Ceduc pois praticou alguns delitos". Um dos meninos, sofre de epilepsia. Já a menina, é surda e só se comunica através de sinais.

Para o promotor de Defesa da Criança e do Adolescente, Marcos Aurélio de Freitas Barros, quando a criança ou adolescente escolhe a rua, é porque já existe um histórico de violência e, possivelmente, abuso sexual no seio familiar. A Promotoria é responsável pela fiscalização dos trabalhos desenvolvidos pelas entidades que cuidam de crianças e adolescentes em situação de risco.

Crack é a droga mais usada

De volta às ruas, a realidade vivida por Sofia e Pedro até certo tempo atrás é a mesma de inúmeras outras crianças e adolescentes. Ao invés de estarem nas escolas, estão sendo exploradas sexualmente, vendendo o corpo por uma pedra de crack. Não importa a hora do dia ou da noite. Nas proximidades da Avenida Interventor Mário Câmara, em Dix Sept-Rosado, há sempre crianças e adultos se drogando. Ou até mesmo à espera do próximo cliente.

Entregues ao vício, elas não tem para onde serem encaminhadas. "Nossa maior dificuldade é não ter um serviço especializado para o tratamento de crianças e adolescentes em situação de drogadição", destacou Verônica. Sofia afirmou que jamais havia provado a "pedra", somente maconha. "Eu via minha mãe embalando e ficava curiosa. Mas crack eu nunca fumei".

Pedro, disse com entusiasmo que estava limpo há alguns meses. "Não quero mais isso. Quero aprender a ler, estudar e crescer na vida". As cicatrizes da vida são as mesmas que marcam seus corpos, franzinos e sensíveis. Estas mesmas marcas jamais os farão esquecer da vida que tiveram. "A liberdade que a rua oferece, não inclui o amor, a atenção, nosso cuidado com a educação destas crianças", sintetizou Rejane.

MP fiscaliza entidades e programas

De acordo com o promotor, existem hoje em funcionamento no Estado, 115 instituições entre públicas e privadas. Além do acompanhamento desses locais, ele fiscaliza o desenvolvimento de 29 programas voltados aos menores. "É um tipo de trabalho que exige visitas sistemáticas aos locais, com um acompanhamento técnico do que está sendo feito", ressaltou.

Uma das instituições acompanhadas pela Promotoria é o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comdica), que dispões de representantes da municipalidade e da sociedade civil. "O Comdica é fundamental, mas precisa exercer melhor seu papel. O Comdica, inclusive, pode deliberar sobre políticas e acompanhar o serviço dos conselhos tutelares, além da própria ação do Município".

Em junho, três entidades que faziam parte do Conselho pediram desligamento. As Organizações não Governamentais Fé e Alegria, Casa Renascer e Adote renunciaram alegando que vivenciavam "um momento atípico no que se refere aos parâmetros éticos no exercício do poder e no embate de ideias". Os assentos estão disponíveis no Comdica à espera da escolha das novas entidades representantes da população.

Políticas públicas são ineficazes

Ricardo Araújo - repórter

Aos 17 anos, Francisco (nome fictício) traz consigo marcas de uma vida inteira nas ruas. Destituído de sua família, há sete anos é assistido pelos programas sociais do Município. Entre idas e vindas aos centros de assistência, tentativas em vencer a dependência do crack e ir regularmente à escola. Todas elas, porém, frustradas. As políticas municipais de assistencialismo social não foram suficientes para mantê-lo na instituição, educá-lo adequadamente e encaminhá-lo a um curso profissionalizante. Como consequência, fugas recorrentes e recaídas. Consciente da conjuntura na qual está inserido Francisco e muitos outros adolescentes, a Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas), afirma que está em busca de alternativas para solucionar o problema.

alex régisO menino Francisco, 17 anos, vive na rua após fugir várias vezes da Casa de Passagem. A última fuga ocorreu depois de esfaquear colegaO menino Francisco, 17 anos, vive na rua após fugir várias vezes da Casa de Passagem. A última fuga ocorreu depois de esfaquear colega
A história de Francisco é apenas um caso das crianças que fogem das Casas de Passagem e retornam para as ruas. Em Natal, são três imóveis administrados pela Semtas, onde estão cadastradas cerca de 120 crianças e adolescentes. Elas foram encaminhadas às Casas após solicitação dos Conselhos Tutelares à Vara da Infância. Em duas delas, a situação é considerada satisfatória pela secretária municipal adjunta de Assistência Social, Verônica Dantas. Na terceira, entretanto, os problemas começam pela infraestrutura do prédio e se evidenciam na dinâmica de funcionamento da instituição. "Nós reconhecemos que temos dificuldades na Casa de Passagem III. Há crianças e adolescentes que cometeram atos infracionais, consomem drogas".

Foi justamente desta Casa que Francisco fugiu. A fuga se deu, após ter cometido um delito contra um colega interno. "Eu furei meu colega e depois fugi. Não lembro o dia, mas faz pouco tempo. Eu prefiro ficar na rua porque tenho mais liberdade", admite Francisco. Ele foi abordado pela reportagem durante o início da madrugada da quinta-feira passada, enquanto limpava parabrisas num cruzamento da zona sul. Até o início do diálogo, não se sabia que ele era um evadido da Casa de Passagem.

A secretaria relata, ainda, que os adolescentes mais velhos acabam influenciando as crianças que vivem no mesmo local. Para a psicóloga Normanda Morais, muitas dessas instituições não conseguem propor práticas de atendimento que respeitem as particularidades das faixas etárias atendidas. "Sobretudo, há um choque de valores, de linguajar, de perspectivas de vida, que termina sendo um grande desafio ao trabalho. Infelizmente, falta-nos, ainda, criatividade e recursos humanos e financeiros para propor alternativas mais coerentes às reais demandas das crianças atendidas", destaca.

De acordo com Verônica Dantas, o Município busca recursos para pôr em prática dois projetos. Um deles criará Residências Inclusivas. O outro, implantará a Casa de Passagem IV, exclusiva o tratamento de crianças e adolescentes viciados em drogas. Tudo esbarra, porém, na falta de recursos e na burocracia. Enquanto os projetos não se tornam reais e sob o conhecimento dos governantes, Francisco se droga, comete delitos e vive sem perspectivas de reinserção social.

Travesti e prostituta aos 16 anos

A janela dos carros que cruzam as ruas escuras do bairro Capim Macio, zona Sul de Natal, emolduram corpos modificados por hormônios e implantes de silicone. A vitrine preferida de mulheres e travestis que se prostituem na região, são as esquinas. Um corpo franzino e o comportamento tímido, chamou a atenção da equipe de reportagem na noite da última quinta-feira. Amanda, 16 anos. Nome adotado por um menino que, aos oito anos de idade, após conversas com amigos mais velhos, decidiu transformar o corpo e se tornar travesti. Prostitui-se desde então. Divide a esquina com mais três jovens que também ganham a vida vendendo o corpo, uma delas de 17 anos. Os três cobram R$ 50 pelo programa - o preço de uma infância perdida. Amanda, menor de idade e vivendo em situação de risco, disse nunca ter sido abordada por assistentes sociais.


alex régisAmanda, 16 anos, faz ponto em uma rua do bairro de Capim Macio. A adolescente conta que decidiu seguir esse caminho aos 8 anosAmanda, 16 anos, faz ponto em uma rua do bairro de Capim Macio. A adolescente conta que decidiu seguir esse caminho aos 8 anos
Das 19 horas às 3 horas da manhã, o trabalho no ponto é quase sagrado. "Estou aqui quase todos os dias. Faço uns quatro programas por noite", admite Amanda. Ela e as amigas utilizam parte de uma construção da Caern como abrigo. O lugar é muito escuro e não oferece nenhum tipo de segurança. Lá, Amanda se expõe como um objeto, sempre disponível a quem lhe oferecer dinheiro. Parte do que arrecada é para a família.

"Parte do dinheiro que eu ganho, eu dou para minha mãe. Por isso, que ela me aceita sem problemas", confirma. A autoconfiança com a qual Amanda responde aos questionamentos da equipe de reportagem, chama atenção. Em nenhum momento, desvia o olhar ou trata o assunto com deboche. Entretanto, questionada sobre o que diria aos seus filhos, se um dia os tiver, sobre a vida que tem hoje, ela para e reflete. "Eu aceitaria se fosse gay, sapatão. Mas diria que a vida de travesti é ruim".

Com os estudos interrompidos aos 12 anos, no sétimo ano do ensino fundamental, as perspectivas de Amanda em relação ao futuro passam somente pela comercialização do seu próprio corpo. "Quero colocar silicone. Quero ser bonita e me prostituir até quando quiser", diz com segurança sem conseguir vislumbrar outro futuro. Para a psicóloga Normanda Morais, casos como o de Amanda refletem as consequências negativas da exploração sexual.

Alimentos para proteger a saúde

Brasília - Abusar de alimentos com baixo valor nutritivo e alto valor calórico (junk food), ser sedentários, e, até mesmo, fumar e consumir bebidas alcoólicas são atitudes típicas da adolescência, mas que terão reflexo na saúde para o resto da vida do indivíduo. Estes fatores estão associados ao desenvolvimento da maioria das doenças crônicas não transmissíveis, como as cardiovasculares, diabetes e câncer, que lideram as causas de óbito na vida adulta no país e no mundo.

ana silvaTer cuidados com a alimentação evita a obesidade e reduz o aparecimento de doenças precocesTer cuidados com a alimentação evita a obesidade e reduz o aparecimento de doenças precoces
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada em 2009 com adolescentes de 9ª série do ensino fundamental nas 27 capitais do país, considerou que, naquela ano, 43,1% dos alunos eram suficientemente ativos, mas, no entanto, 79,5% gastavam mais de duas horas por dia em frente à televisão. O sobrepeso atingiu 16% e a prevalência de obesidade foi de 7,2% para o conjunto das capitais.

Os levantamentos também alertam que jovens estão entre os grupos mais vulneráveis para o tabagismo e o consumo de álcool. No Brasil, onde o consumo de álcool também é associado às mortes por causas violentas e aos acidentes de trânsito, a exposição ao álcool tem início precoce: 71% dos estudantes de 9º ano avaliados na PeNSE relataram que já haviam experimentado álcool e 27% haviam consumido bebidas alcoólicas nos trinta dias anteriores. Quase 25% desses alunos disseram que haviam se embriagado pelo menos uma vez na vida.

A coordenadora de Vigilância de Agravos e Doenças Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Deborah Malta, considera, porém, que a adolescência é também um período favorável para adoção de novas práticas e comportamentos, quando os jovens tornam-se mais independentes. "A presença, neste período da vida, de determinados fatores de proteção, como alimentação saudável e atividade física, contribui para a promoção e preservação da saúde da população, com ganhos de curto e longo prazo."

Com uma atenção especial à prevenção das doenças crônicas, o Programa Saúde na Escola (PSE) foi lançado em 2008 para contribuir para a formação integral dos estudantes da rede pública da educação básica por meio de ações de prevenção, promoção e atenção à saúde. Em parceria, os ministérios da Saúde e da Educação integram as redes de educação e o Sistema Único de Saúde. Na prática, o trabalho integrado gera ações de promoção para a saúde, estimulando a alimentação saudável, bem como práticas corporais e atividade física. A prevenção do tabagismo e do uso de álcool, bem como a prevenção de violência, também fazem parte das ações que o programa incorpora ao cotidiano das escolas municipais que dele participam.

Saúde no prato: ações na área de alimentos

• Implementar os guias alimentares para fomentar, em todos os ciclos da vida, escolhas saudáveis relacionadas à alimentação;

• Apoiar a implementação dos parâmetros nutricionais do Programa de Alimentação do Trabalhador, com foco na alimentação saudável e na prevenção de DCNT no ambiente de trabalho;

• Promover a aquisição de alimentos saudáveis para o Programa Nacional de Alimentação Escolar, de forma a respeitar as diferenças biológicas entre faixas etárias e condições alimentares que necessitem de atenção especializada;

• Articular ações de capacitação e de educação permanente dos profissionais de saúde, em especial na Atenção Primária em Saúde, com foco na promoção da alimentação saudável;

• Formular a orientação técnica para a aquisição dos alimentos oriundos da agricultura familiar, conforme o Art. 14 da Lei 11.947/2009 - Atendimento da Alimentação Escolar;

• Promover ações de educação alimentar e nutricional e de ambiente alimentar saudável nas escolas, no contexto do Programa Saúde na Escola;

- Elaborar e implementar programas de educação alimentar e de nutrição, articulando diferentes setores da sociedade;

• Fortalecer a promoção da alimentação saudável na infância, por meio da expansão das redes de promoção da alimentação saudável voltadas às crianças menores de dois anos (Rede amamenta Brasil e Estratégia Nacional de Alimentação Complementar Saudável);

• Fortalecer o projeto Educanvisa como estratégia de promoção da alimentação saudável;

• Elaborar Guia de Boas Práticas Nutricionais para Alimentação Fora de Casa, destinado a orientar pequenos comércios e serviços sobre o preparo e a oferta adequada e saudável dos alimentos oferecidos para refeições de rua;

• Estimular o consumo de alimentos saudáveis, como frutas, legumes e verduras;

• Ordenar e fomentara a aqüicultura familiar, visando ao aumento da produção e oferta de alimentos (pescado e algas) para uma alimentação saudável;

• Estimular a produção de alimentos de bases limpas (orgânicos, agroecológicos), em articulação com os programas facilitadores da produção de alimentos saudáveis do Ministério do Desenvolvimento Agrário;

- Criar protocolo de ações de educação alimentar e nutricional para as famílias beneficiárias dos programas socioassistenciais, integrando redes e equipamentos públicos e instituições que compõem o Sisvan.

Cerca de 70% de crianças envolvidas com bullying sofrem castigo corporal, mostra pesquisa

Cerca de 70% das crianças e adolescentes envolvidos com bullying (violência física ou psicológica ocorrida repetidas vezes no colégio) nas escolas sofrem algum tipo de castigo corporal em casa. É o que mostra pesquisa feita com 239 alunos de ensino fundamental em São Carlos (SP) e divulgada hoje (30) pela pesquisadora Lúcia Cavalcanti Williams, da Universidade Federal de São Carlos.

Do total de entrevistados, 44% haviam apanhado de cinto da mãe e 20,9% do pai. A pesquisa mostra ainda outros tipos de violência - 24,3% haviam levado, da mãe, tapas no rosto e 13,4%, do pai. "As nossas famílias são extremamente violentas. Depois, a gente se espanta de o Brasil ter índices de violência tão altos", disse a pesquisadora, ao participar de audiência pública na Câmara dos Deputados que debateu projeto de lei que tramita na Casa e que proíbe o uso de castigos corporais ou tratamento cruel e degradante na educação de crianças e adolescentes.

Segundo ela, meninos vítimas de violência severa em casa têm oito vezes mais chances de se tornar vítimas ou autores de bullying. "O castigo corporal é o método disciplinar mais antigo do planeta. Mas não torna as crianças obedientes a curto prazo, não promove a cooperação a longo prazo ou a internalização de valores morais, nem reduz a agressão ou o comportamento antissocial", explicou.

Para a secretária executiva da rede Não Bata, Eduque, Ângela Goulart, a violência está banalizada na sociedade. Ela citou diversas entrevistas feitas pela rede com pais de crianças e adolescentes e, em diversos momentos, frases como "desço a cinta" e "dou umas boas cintadas" aparecem. Em uma das entrevistas, um pai explica que bater no filho antes do banho é uma forma eficiente de "fazer com que ele se comporte". "Existem pais que cometem a violência sem saber. Acham que certas maneiras de bater, como a palmada, são aceitáveis", disse.

Atualmente, 30 países em todo o mundo têm leis que proíbem castigos na educação de crianças e adolescentes, entre eles a Suécia e a Alemanha. "A lei é uma forma de o Estado educar os pais", ressaltou o pesquisador da Universidade de São Paulo Paulo Sérgio Pinheiro.

Como forma de diminuir os índices de violência contra crianças e adolescentes em casa, os pesquisadores sugeriram a reforma legal, com a criação de leis que proíbam esse tipo de violência, a divulgação de campanhas nacionais, como as que já vêm sendo feitas, e a participação infantil, com crianças sendo encorajadas a falar sobre assuntos que lhes afetem. "A principal reclamação das crianças é que elas não aguentam mais serem espancadas pelos pais", destacou Pinheiro.

* Fonte: Agência Brasil

Enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes: Projeto Escola que Protege*

O Estatuto da Criança e do Adolescente especifica que toda criança deverá estar protegida de ações que possam prejudicar seu desenvolvimento. No entanto, a realidade de transgressão a esse direito atinge uma parcela significativa de crianças, que têm seu cotidiano permeado por variadas formas de violência. Com o objetivo de formar profissionais em educação para atuar na defesa dos direitos desses sujeitos a SECAD/MEC, implantou o Projeto Escola que Protege, objeto desta apresentação, considerando que a definição de uma política eficiente no enfretamento da violência passa pelo envolvimento de diversos e estratégicos atores sociais, dentre eles, a comunidade escolar.
A VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS – A REALIDADDE TORNADA VISÍVEL

Recentemente, foi entregue à Organização das Nações Unidas (ONU) um Relatório (daqui em diante: Relatório do UNICEF) que retrata a condição da violência contra crianças, resultado de uma investigação1 aprofundada sobre o tema, realizada pelo especialista Prof. Paulo Sérgio Pinheiro, diretor do Núcleo de Estudos da Violência, da Universidade de São Paulo (USP).

Trata-se do primeiro estudo com essa abrangência e dimensão realizado até então, e teve como objetivo traçar um panorama detalhado sobre a natureza, o alcance e as causas da violência contra crianças e adolescentes, além de apresentar algumas recomendações para impedir que essa violação dos Direitos Humanos continue tendo lugar no tratamento a essa parcela da população e para enfrentar aquelas formas de violência que estão estabelecidas nas sociedades, seja por permissão do Estado, seja por estarem enraizadas nas comunidades, seja como método disciplinar.
O estudo comprovou, ainda, que a violência contra crianças ocorre no lar e na família, nas escolas e outros ambientes educacionais, em sistemas assistenciais e de justiça, nos locais de trabalho e na comunidade, de um modo geral.
Em relação à violência que ocupa lugar no interior das famílias, o Projeto Escola que Protege discute as relações de parentesco que existem entre o agressor e o sujeito violentado, o espaço físico em que essas violações ocorrem e as justificativas que mais comparecem nas pesquisas, qual seja, o uso da violência como "medida educativa". Em pesquisa anterior (FRANCISCHINI, 2003) procuramos identificar como as crianças vítimas de violência física intrafamiliar justificam as atitudes de seus cuidadores; a autoridade dos pais e a violência como forma de educação estiveram presentes nos discursos das crianças.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

ENTREVISTA AO JORNAL DE HOJE 07/07/2011

Circula entre especialistas de diversos setores do saber e também pelo senso comum que a educação seria um dos antídotos para prevenir problemas como violência e drogadição. E a escola, nesta engrenagem, o melhor local para que sejam lançadas as bases para isso, tendo na qualificação dos professores um caminho. Como célula de orientação aos profissionais da educação, para enfrentamento a problemas como os já citados, e trazendo à tona discussão sobre temas como bullying, o Núcleo Estadual de Educação Para a Paz (Neeppaz), pertencente à Secretaria de Estado da Educação e da Cultura, desenvolve ações orientadas à promoção da paz nas escolas da rede pública estadual.
O Neepaz foi criado mediante a portaria 1.111/2009-SEEC/GS, consoante o que já versava a Lei Estadual 8.814 de março de 2006, a qual já dispunha sobre o Programa Estadual Paz na Escola, a fim de controlar a violência nas escolas, bem como sobre a criação do Conselho Estadual de Promoção da Paz na Escola. A oficialização do Núcleo ocorreu através da portaria 333/2010 – SEEC/GS, de 10 de fevereiro de 2010. A estrutura, de acordo com o presidente do Conselho, o professor João Maria Moura, representa um marco para o desenvolvimento de políticas públicas de enfrentamento a violência e ao uso de drogas. O Conselho possui caráter consultivo e deliberativo, e cuja constituição é de 50% por membros do Governo e a outra por representantes da sociedade organizada.
A importância de haver dispositivos que lidem com esta realidade e através da formação escolar busque transformar os diferentes cenários em que as escolas estão foram traduzidas nos números da pesquisa apresentada pelo Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas, os quais indicam que 65% dos estudantes de ensino fundamental e médio do Brasil já haviam experimentado álcool pelo menos uma vez e 22% deles, usado drogas ilícitas. Em Natal foram ouvidos 1.633 estudantes, dos quais 46% afirmaram ter consumido bebida alcoólica e 16,5% consumido entorpecentes, conforme lembrado por João Maria.
“O que temos hoje são ações inadequadas e desarticuladas”, avalia o presidente do Conselho Estadual de Promoção da Paz na Escola, pondo em relevo que é necessário fazer um trabalho intenso junto aos educadores a fim de que saibam lidar com este fato presente no tecido social, sendo então necessária uma rede de fomento e orientação. O trabalho do Neepaz se dá neste primeiro momento mediante a realização de seminários e cursos de capacitação direcionados a professores e técnicos. O objetivo é qualificar os educadores para que trabalhem em sala de aula como multiplicadores na promoção da cultura da paz, prevenção as drogas, enfrentamento do bullying, e direitos humanos.
A rede conta com a participação de representantes dos diversos setores da Secretaria de Educação, das escolas (professores, gestores, alunos e técnicos), das Direds (Diretorias Regionais de Educação), e das entidades parceiras. Trabalham conjuntamente com a estrutura da SEEC a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Conselho Estadual de Entorpecentes (pertencente a Secretaria de Segurança), Ouvidoria Pública, Subsecretaria Estadual da Juventude, Instituto Potiguar de Prevenção e Combate as Drogas, Proerd (Programa Estadual de Resistência às Drogas e Violência), Ronda Escolar, Promotoria da Educação do Ministério Público.
Efetivamente, um dos trabalhos feitos pelo Núcleo foi junto às Diretorias Regionais de Educação (Direds), as quais foram levadas a produzir um plano de trabalho orientado à promoção da cultura da paz adequada às peculiaridades encontradas nas 16 jurisdições. As ações desenvolvidas não se encerram dentro dos muros das escolas, mas também insta a comunidade a participar ajudando a detectar quais são as demandas oriundas dela mesma. No entanto, a iniciativa parece estar esbarrando nos entraves orçamentários desde o ano passado, momento em que já deveriam ter visitados cada uma das Direds a fim de rever o material produzido e monitorar o início das atividades.
O técnico pedagógico Vanduí Guedes, que também compõe o Núcleo de Educação Para a Paz - órgão executor das proposições do Conselho, que fiscaliza como está sendo desempenhadas as ações -, fala da importância de se criar uma cultura de paz e sublinha que a questão da violência não pode ser resolvida sozinha pela escola, uma vez que é um reflexo social e familiar. A também técnica pedagógica, Suelly Marinho, lembra que mesmo não sendo premissa direta deste segmento da Rede, por diversas vezes os membros do Neepaz têm recebido a visita de famílias que sofrem com o problema da drogadição, realizando um trabalho de acolhimento, aconselhamento e acompanhamento. “Um desses motivos é o fato de João ter um trabalho já conhecido no combate às drogas, tem conhecimento com os administradores das unidades terapêuticas”.
Sobre o que pôde ser constatado no trato diretos com as escolas estaduais da rede pública, as informações do Conselho apontam para problemas como enfrentamento de gangues dentro e fora das escolas, depredação do patrimônio público, uso de drogas dentro e nos entornos das unidades escolares e casos de pedofilia, nos quais garotos estariam sendo assediados sexualmente em troca de favores e dinheiro, em ambientes externos às escolas.
Bullying – um inimigo oculto
Uma prática de violência social que tem despertado a atenção de estudiosos da área pedagógica e membros das áreas de saúde, bem como de pais e responsáveis que se deparam como mudanças bruscas no comportamento de crianças do seu convívio, é o bullying, a partir do qual numa situação de desequilíbrio de poder uma pessoa ou grupo agride física e/ou psicologicamente o alvo. Lidando com o assunto, pontualmente, o professor Eugênio Oliveira revela que mesmo sendo difícil gerar estatísticas sobre o assunto no RN, ele existe e deve ser alvo de cuidados.
O técnico pedagógico explica que se faz necessário diferenciar o que são comportamentos jocoso, brincadeiras, daquilo que pode ser considerado bullying. “Falta informação sobre o assunto. Anda hoje tudo é considerado brincadeira”, aponta ele, que complementa ser o Nordeste a região em que menos há aferição de tais ações de confronto e humilhação. “Possivelmente por ser uma população que gosta muito de brincadeiras seja mais difícil definir o que é ou não o bullying”, enfatiza. Ele também cita que as regiões Sudeste e Sul, respectivamente, lideram o ranking de tal prática social.
Eugênio evidencia que não há um motivo específico para que as sessões de intimidação ocorram, mas que vários fatores podem ser justificativas pessoas para os algozes. “Existe a questão étnica, tem o lado da homofobia que também alimenta o bullying”. O professor fala que, de maneira metodológica, os especialistas apontam a repetição da suposta brincadeira como um indício de bullying, utilizando para tal o controle de quantas vezes por semana, quinzena ou mês o fato ocorre. “Muitas vezes, vítima e agressor são vítimas porque aquele que pratica a agressão acaba reproduzindo um comportamento vivenciado em casa”, alerta.
As expressões mais comuns deste distúrbio comportamento, de acordo com o educador, podem ser de cunho sexual, mediante o furto do dinheiro do lanche, ou psicológico, a partir do abuso de poder. E a maneira de se livrar do problema, é denunciar, avisa Oliveira, pontuando que muitas vezes este ato se torna difícil devido ao medo de represálias. “Se for o caso, tem de ir a uma delegacia e fazer boletim de ocorrência”, lembra ele afirmando que é necessária uma política de prevenção e esclarecimento mediante palestras e debates.
A criação de ouvidorias em cada escola é apontada como um dos meios para controlar questões relacionadas a drogadição, abuso de poder e outros tipos de violência, uma vez que há casos em que o protagonista da violência é o professor, mediante o uso distorcido da autoridade que lhe é conferida. Yara Nassau, também participante do Núcleo, fala do perigo da violência simbólica, aquela na qual estruturas sociais já estão definidas e tudo aquilo que for diverso ao já proposto, pode ser considerado justificativa para atos de coação. “A violência muda de contextos, mas em comum existe o fato de que direitos básicos são sonegados”.
O professor Eugênio finaliza trazendo à tona uma triste constatação de que a relação aluno/professor está comprometida, uma vez que a categoria perdeu o respeito ante crianças e adolescentes. “Hoje o professor não inspira mais o aluno. Quem quer ser professor hoje em dia? Ouço em sala de aula alunos me questionarem sobre o porquê de estudar tanto e me tornar um profissional que não é valorizado”, narra ele.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Crianças // RN é 1º em denúncias de violência sexual

Com uma média de 19,31 denúncias para um grupo de 100 mil habitantes, o Rio Grande do Norte tem se mantido na liderança do ranking de denúncias de violência contra crianças e adolescentes. A Grande Natal é a região do Estado como maior número de denúncias, incidindo mais precisamente nos municípios de Natal, Parnamirim, Macaíba e São Gonçalo do Amarante. Os dados são do serviço “Disque 100″, criado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, e refletem as denúncias de violência contra crianças e adolescentes até o mês de janeiro deste ano.
O interior do Estado também registra aumento dos casos de exploração. Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal, a cada 26 quilômetros das rodovias federais no Rio Grande do Norte, cerca de 17 quilômetros possuem pontos vulneráveis à exploração sexual, principalmente em locais próximos a postos de gasolina e obras da Petrobras, devido ao grande aglomerado de trabalhadores do sexo masculino.

Esses dados foram apresentados ontem, no Centro Municipal deReferência em Educação Aluízio Alves (Cemure), durante o Seminário em alusão ao “Dia Nacional de Enfrentamento a Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes”, que é lembrado amanhã. O encontro discutiu os avanços dos sete anos do Comitê Estadual voltado para o combate ao problema; a preocupação com a vulnerabilidade de Natal na Copa 2014 com relação à exploração de crianças e adolescentes; e os desafios na área para a próxima gestão municipal, devido à proximidade das eleições. Hoje, ocorre a instalação da Frente Parlamentar estadual em defesa da Criança e do Adolescente na Assembleia Legislativa, às 14h. E amanhã, haverá o seminário da Rede de Proteção, além de caminhadas em Ponta Negra e atividades em escolas públicas.

Para a coordenadora do Comitê Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual, Sayonara Dias, os dados mostram que,

Abertas inscrições para curso “Educação para a Paz e Não-Violência” SERGIPE

Professores e educadores poderão participar do curso "Educação para a Paz e Não-Violência", que acontecerá no período de 18 a 20 de julho, das 18h às 22h, no Centro Educacional Dr. Masoud Jalali, localizado na rua Duque de Caxias, 297, bairro São José. As inscrições devem ser feitas no restaurante Ágape Natural, na rua Celso Oliva, bairro 13 de Julho.

O evento tem como objetivo sensibilizar o educador para a necessidade de contribuir com a formação do educando como agente do processo histórico e discutir princípios filosóficos e metodologias educativas que podem facilitar essa formação.

O curso será ministrado pela professora Martha Rabbani, da Universidade do Kansas (EUA), e será centrado na compreensão e aplicação dos princípios de Educação para a Paz tanto na sala de aula como no cotidiano das relações humanas.

No dia 18, haverá a palestra "Como educar para a paz em uma cultura de violência", das 19h às 21h. Já nos dias 19 e 20 será a vez da palestra "Educação para a Paz e Não-Violência", das 18h às 22h.

Seminário sobre Combate às Drogas, em Natal (RN)

A Comissão Especial de Políticas Públicas de Combate às Drogas promove nesta tarde seminário em Belo Horizonte. O evento vai discutir prevenção ao uso de drogas, tratamento e acolhimento de dependentes químicos, reinserção social, repressão ao tráfico e mudanças na legislação.
O debate será realizado a partir das 14 horas, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Entre os convidados estão representantes do Judiciário, da Polícia Militar, de entidades terapêuticas e do governo do estado.
Seminários nos estados
A comissão promoverá seminários nos 26 estados e no DF. Nesta semana, além de Belo Horizonte, haverá debate em Natal (RN), na quinta-feira (30); e em Corumbá (MS), na sexta-feira (1º).

Os coordenadores do debate de hoje serão os deputados Leonardo Quintão (PMDB-MG) e Weliton Prado (PT-MG). O relator do evento será o deputado Geraldo Thadeu (PPS-MG). O presidente da comissão especial é o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
Da Redação/PT

Natal (RN) ganha primeiro centro de políticas sobre drogas do país

Prefeitura de Natal (RN), através da Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas), inaugurou nessa terça-feira (7) o Centro Municipal de Políticas sobre Álcool e Drogas (Centad), para prevenção e tratamento para dependentes químicos e seus familiares. Localizado na Avenida Jaguarari, 2188, em Lagoa Nova, a função do Centro será acolher, orientar e encaminhar pessoas com dependência química para a rede de atendimento do SUS.

Após o acolhimento, o psicólogo fará uma avaliação do grau de dependência química e, a partir daí, será definida a melhor forma de tratamento. Os pacientes que necessitarem de tratamento prolongado serão encaminhados para uma das seis comunidades terapêuticas parceiras da Prefeitura. Ao todo, são 85 vagas destinadas aos dependentes químicos atendidos pelo Departamento de Prevenção e Acompanhamento ao Usuário de Droga (DPAD). Segundo a diretora do DPAD, Edineuza Paiva, Centro atua em três vertentes: prevenção, acompanhamento ao dependente químico e à sua família e reinserção no mercado de trabalho.

A prefeita de Natal, Micarla de Sousa, enfatizou a importância do centro, que irá atender 250 usuários por mês. "Tratar sobre a política de combate à droga e ao álcool é falar sobre a cultura de paz. Então, fico muito feliz em entregar um centro focado no tratamento desta 'chaga' que tem exterminado tantas famílias e acabado com a vida dos nossos jovens. Este é um passo muito importante e espero que Natal se torne um exemplo para o Estado", ressalta ela.

O pesadelo do bullying

Em Natal, 26,7% dos estudantes do 9º ano já se sentiram humilhados por colegas. Tema foi abordado em evento

Andrielle Mendes
Nada menos que 26,7% dos estudantes do 9º ano do ensino fundamental em Natal já se sentiram humilhados por colegas da Escola pelo menos uma vez. No Brasil, o percentual é ainda maior, chega a 30,8%, de acordo com a Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar (Pense), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que entrevistou 10.024 estudantes natalenses. A pesquisa mostra que entre cada dez estudantes do 9º doensino fundamental de Escolas públicas e privadas de todo o país, três já se sentiram humilhados por colegas da Escola. As crianças não são as únicas vítimas de bullying. A agressão pode atingir adolescentes e adultos em todos os lugares: na rua, na Escola, em casa e até na empresa. Considerada brincadeira de mau gosto, pode trazer consequências desastrosas, como depressão, suicídio e homicídio. Na maioria dos casos, a vítima tem medo de denunciar o agressor, mas reage de alguma forma, seja se isolando ou agindo com violência, como explica a professora de Educação Física da Universidade Potiguar Kalina Masset, que abordou o tema durante o 2º Encontro Nordestino de Profissionais e Estudantes da Saúde (Enpese), na manhã de ontem.
De acordo com ela, o bullying tem cinco características principais: o agressor tem como objetivo constranger a vítima; costuma repetir a agressão até atingir o objetivo e tem intenção de ferir, magoar. O fato da vítima se enxergar como o agressor a enxerga e de sempre existir um público (uma plateia) que motiva o agressor complementam as características básicas. Pessoas que estão fora do padrão de beleza são as mais atingidas. Na lista entram pessoas acima ou abaixo do peso considerado padrão ou com alguma característica física diferente.
Kalina explica que há uma relação direta entre imagem/percepção corporal e bullying. "Ninguém faz essa relação. Este assunto é extremamente negligenciado. Ninguém dá relevância", afirma a professora. Na prática, funciona assim: a forma como eume vejo influencia a forma como o outro me vê. Se você se considera extremamente gordo, alguém vai perceber e achar que você é extremamente gordo. Alguns vão ignorar seu peso acima do normal. Outros vão usá-lo para constrangê-lo.

medidas judiciais para enfrentamento ao bullying

Se você sofre ou já sofreu com o bullying, saiba que é possível tomar algumas medidas judiciais.

"O menor de idade está amparado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Se ele, agressor cometer esse ato, a pena pode variar de acordo com a idade. Os pais deste menor ou responsáveis, respondem civilmente por todas os atos praticados por ele. A vítima pode procurara a delegacia de polícia e prestar queixa, pode procurar o Conselho Tutelar, o Ministério Público... Enfim, existem uma série de ações que podem ser tomadas contra o bullying", finaliza o advogado.
Fonte: Viver Bem

MARISTA CONTRA O BULLYING


No dia 27 de maio, os alunos do 5º ano prepararam uma reflexão sobre 0oBulluing, que foi realizada com todos os estudantes do Colégio Marista de Natal, durante o Momento Cívico.



terça-feira, 21 de junho de 2011

O Bullying sob o olhar dos educadores: um estudo em escolas da rede privada de Natal/RN

O bullying escolar envolve todas as atitudes agressivas, intencionais e repetitivas que acontecem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro (s) causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder, tornando possível a intimidação da vítima. Suas manifestações envolvem boatos difamatórios, apelidos, discriminação, furto ou danificação de pertences, perseguições, ameaças, agressões físicas, isolamento, exclusão de uma pessoa ou grupo, intimidação, intolerância e desrespeito. Neste estudo, buscou-se identificar a concepção que os educadores têm sobre o bullying, se conhecem e através de quais meios tomaram conhecimento do problema, se intervêm quando identificam casos de bullying e como se dá tal intervenção. Foi utilizado para coleta dos dados um questionário, aplicado a 107 educadores de 14 escolas particulares de Natal/RN. Os dados receberam tratamento estatístico no programa SPSS e seus resultados foram analisados à luz de um referencial social e histórico. Entre os resultados, encontrou-se que 83% dos educadores entrevistados já ouviram ao menos falar em bullying, sendo que as informações sobre o problema vêm principalmente dos meios de comunicação, como televisão, jornais e revistas. Os educadores afirmaram que os apelidos, xingamentos e agressões físicas são as manifestações de violência mais freqüentes entre os alunos e também as queixas mais comuns quando estes procuram por ajuda. A necessidade de intervenção quando se identifica um caso de bullying foi relatada por 97,03% dos entrevistados, sendo que 73,27% dos educadores já foram inclusive chamados por alunos ou funcionários da escola para remediarem as situações de bullying entre alunos. Sobre as formas de intervenção empregadas, a mais comum foi a conversa e advertência aos alunos envolvidos. Sugere-se a intensificação de estudos relacionados ao assunto e o desenvolvimento de ações e programas antibullying que envolvam a comunidade escolar (educadores, pais, alunos, funcionários), em parceria com segmentos sociais: Conselho Tutelar e demais órgãos ligados à proteção da criança e do adolescente

Autor(es): Samia Dayana Cardoso Jorge -

Prevenção // Governo oferece curso anti-drogas

A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), veiculada à Presidência da República, planeja formar 65 mil pessoas na área de tratamento e reinserção social de usuários e dependentes de drogas nos próximos três meses.

Serão ministrados cinco tipos de cursos e investidos mais de R$ 14 milhões no projeto. Podem se inscrever professores, juízes, lideranças religiosas e outros profissionais que atuam no ramo.

Segundo a secretaria adjunta do Senad, Paulina Duarte, a sociedade é mais beneficiada com a formação dos agentes. "Quando damos capacitação a um professor é o aluno quem ganha, quando damos suporte a um profissional do SUS é o paciente daquela rede quem vê os resultados. Isso também acontece quando damos conhecimento a um ator social que pode contribuir para a sociedade no enfrentamento das drogas e do crack".

Os cursos são gratuitos, oferecidos na modalidade de Educação a Distância e têm duração de três meses. Os alunos recebem o material didático em casa, e passam a ter acesso ao ambiente virtual de aprendizagem com acompanhamento de tutores, que também poderão ser acionados por um telefone gratuito. Ao final do curso, os concluintes recebem um certificado de extensão universitária, emitido pela instituição de ensino superior executora do curso. "É preciso desmistificar a questão de drogas no Brasil. Antes de críticas, precisamos dar medidas preventivas à sociedade".

Prevenção às drogas atinge apenas 30 cidades do RN

O poder público no Rio Grande do Norte faz pouco para prevenir o uso de drogas e o único programa voltado para essa finalidade abrange apenas 30 das 167 cidades do estado. A crítica é do deputado estadual Antônio Jácome, presidente da Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas. Ele se pronunciou sobre o assunto ontem, durante uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa.


Audiência presidida pelo deputado Antônio Jácome (ao centro) debateu tema Foto: Carlos Santos/DN/D.A Press
O projeto ao qual deputado faz referência é o Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), coordenado pela Polícia Militar e aplicado em escolas

públicas e privadas do estado, sendo atualmente desenvolvido em 30 municípios potiguares. "Não basta ter uma coordenadoria ou um conselho, é preciso ter uma política de Estado, com orçamento e recursos destinados para isso", afirma Jácome. "Quando alcançarmos todas as cidades, aí sim poderemos dizer que alguma coisa está sendo feita. Caso contrário, a imprensa vai continuar pautando todos os dias crimes etragédias que poderiam ser evitados se houvesse uma prevenção rotineira nas escolas e na sociedade", analisa o parlamentar.

Na ocasião da audiência, foram empossados os 13 titulares e 13 suplentes do Conselho Estadual de Entorpecentes e foi entregue a Comenda do Mérito da Secretaria Nacional de Políticas Contra as Drogas. O deputado propôs uma cruzada suprapartidária para conjugação de esforços do poder público municipal, estadual e federal, além da sociedade civil. Ele explica que, nas três esferas, os recursos são escassos, o que tem feito surgir poucos programas.

Para o presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes, o jovem e o adolescente estão à mercê de uma combinação terrível: o fácil acesso ao crack e o baixo preço dessa droga. Ele ressalta também que a porta de entrada da droga é sobretudo a ociosidade e que os futuros consumidores começam consumindo drogas "leves", como álcool e cigarro. Para combater o problema, ele defende uma política de fortalecimento às atividades esportivas na escola. "O jovem só entra na droga quando não se tem uma alternativa de ocupação de tempo e lazer", destacou ele, defendendo ainda que o debate chegue à sala de aula do ensino fundamental.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Pesquisadores acham que estresse causado por bullying altera a química cerebral

Que o bullying provoca mudanças de comportamento em crianças e adolescentes, tornando-os mais retraídos, ansiosos e socialmente isolados, entre outros sintomas, já se sabia. Agora, um novo estudo acha pistas importantes de como essa forma de violência causa danos no cérebro. Uma equipe da Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos, analisou o comportamento e a anatomia de camundongos submetidos a uma situação de estresse social crônico, semelhante à pressão sofrida por alunos perseguidos sistematicamente e durante um longo período por colegas. A descoberta foi que o abuso modifica a química cerebral, principalmente em regiões fundamentais para o processamento das emoções.

Principal autor do estudo, publicado recentemente na revista especializada Psychology and behavior, Yoav Litvin explica que as conclusões podem lançar luz sobre os efeitos do bullying e de outras formas de estresse social nas pessoas. Isso porque as regiões cerebrais, nas quais os cientistas focaram estão presentes em todos os mamíferos, dos pequenos roedores aos homens.

Para realizar o experimento, a equipe de Litvin criou em laboratório uma espécie de jardim de infância, para o qual nenhum camundongo gostaria de ser mandado. Presa em uma gaiola de vidro, a cobaia era obrigada a conviver por 10 dias com animais mais velhos e maiores que ela – um rato diferente por dia. Como são territorialistas, assim que se viam dividindo o mesmo espaço os camundongos tendiam a se enfrentar, e a cobaia, em desvantagem, perdia a disputa invariavelmente.

Os pesquisadores permitiam que as brigas diárias durassem apenas 10 minutos. Depois desse tempo eles isolavam o camundongo maior em um cubículo de vidro, ainda dentro da gaiola. Dessa forma, o animal menor ainda podia ver, ouvir e sentir o cheiro do agressor, situação estressante para ele. Depois de viver sob esse tipo de pressão por 10 dias, a cobaia ganhava um dia de descanso e era levada então a uma outra jaula, onde passava a conviver com animais do mesmo tamanho ao seu.

Todos os animais que haviam passado pelo trauma do bullying apresentavam mudanças de comportamento nessa fase do experimento. “Descobrimos que, depois de passar dias sentindo-se derrotados e subjugados por outros animais, os camundongos ficaram relutantes em se aproximar de outros animais de sua espécie”, descreve Litvin em entrevista ao Estado de Minas, por e-mail.

Hormônio Identificada a mudança comportamental, os pesquisadores partiram para uma análise do cérebro dos camundongos traumatizados. Primeiro, eles notaram que uma droga que inibia a ação de um hormônio chamado vasopressina era capaz de reduzir a ansiedade das cobaias. Depois, a equipe examinou os cérebros dos animais e notou que eles estavam mais sensíveis à ação do hormônio, que no ser humano está associado à agressão, ao estresse e a distúrbios de ansiedade. O aumento dos receptores de vasopressina foi notado especialmente na amígdala, área que pode ser descrita como o centro emocional do cérebro.

Para Litvin, essas mudanças no sistema cerebral podem ser a base da alteração comportamental surgida a partir de situações de estresse social crônico. “Os roedores estressados apresentaram mudanças na ativação de neurônios que estão relacionados com o controle da ansiedade e com a socialização. Essas mudanças podem ser a base de alguns dos efeitos comportamentais que surgem em situações como o bullying”, afirma.

O especialista acredita que o estudo pode ajudar a compreender melhor os efeitos de traumas surgidos pelo convívio social e levar ao desenvolvimento de tratamentos ou maneiras de prevenir as consequências do estresse crônico em humanos. Ele ressalta, no entanto, que outros estudos precisam ser feitos antes de se afirmar que os danos observados nos cérebros dos camundongos se repetem nas pessoas. Também não se sabe se essas alterações – mesmo nos ratos – são permanentes ou se o cérebro volta ao normal depois de um período longo distante da fonte de estresse. “É importante lembrar que os cérebros de camundongos e humanos são muito diferentes”, frisa.

Mas os indícios apontados pela pesquisa norte-americana não surpreendem a médica psiquiatra e especialista em bullying Ana Beatriz Barbosa Silva. “Qualquer estresse leva a mudanças de comportamento e promovem a liberação de uma série de substâncias químicas”, diz a autora do livro Bullying: mentes perigosas nas escolas (Objetiva). No caso do bullying, ela ressalta que a situação tende a ser mais grave porque o estresse pode se prolongar, tornando-se crônico. “Como a criança normalmente não conta a ninguém o que está sofrendo, a situação pode seguir por um ou dois anos. A amígdala cerebral fica mesmo hiperfuncionante e passa a sinalizar perigos que às vezes não existem”, completa.

Bullying já afeta 84,5% dos estudantes no Rio. Mais de 40% já foram vítimas‏

RIO - Uma pesquisa sobre bullying nas escolas do Rio revela que a grande maioria dos alunos - 84,5% dos entrevistados - já foi vítima (40,4%) ou conhece alguém que sofreu agressões físicas ou psicológicas no colégio (44,1%). O levantamento, feito pelo Instituto Informa, mostra que o problema é mais grave nas unidades municipais. O percentual chega a 90,2% na rede municipal, contra 82,8% nos colégios particulares, e 72,7% nos estaduais. Atos de intimidação e violência ocorrem, principalmente, no ensino fundamental. Por isso a menor incidência na rede estadual, que tem foco no ensino médio, mostra reportagem de Ludmilla Lima, publicada pelo GLOBO nesta segunda-feira.

Conforme O GLOBO revelou, domingo, as escolas ignoram uma lei estadual que obriga instituições de ensino a comunicar os casos de agressão entre alunos à polícia ou aos conselhos tutelares.

O bullying foi usado como justificativa pelo autor do massacre de Realengo. Welington Menezes de Oliveira, que tinha problemas mentais, matou 12 estudantes da Escola Municipal Tasso da Silveira, no último dia 7 de abril.

Durante a pesquisa, o instituto entrevistou 830 estudantes de 10 e 16 anos. Do total, 40,4% confirmaram já ter sido vítimas de bullying, e 44,1% disseram conhecer pessoas que foram alvo de perseguição. Uma das constatações mais preocupantes da pesquisa revela que 93,1% dessas pessoas disseram que não houve qualquer tipo assistência psicológica às vítimas.

De acordo com a consulta, o problema mais comum são os apelidos pejorativos, que representam 42,7% dos casos. Deboches coletivos (18,8%) e ofensas pessoais (13,7%) vêm em seguida. Das vítimas, 57,9% não reagiram às agressões, e 19,4,2% pensaram em vingança. E 71% das pessoas que foram alvo conseguiram superar o trauma.

As chances de agressão física são maiores nas escolas municipais: 46%. Nas estaduais, o índice é de 40%, e nas particulares, de 33,9%.

Diretor do instituto, o sociólogo Fábio Gomes explica que a pesquisa revelou diferenças entre as vítimas de bullying não somente em relação às escolas onde estudam, mas também por idade e sexo.

- No caso das meninas, constatamos que a agressão mais presente é a verbal. Entre os meninos, é a física - compara o sociólogo.

Dos 492 alunos de 10 a 14 anos que participaram da pesquisa, 88,4% confessaram sofrer agressões ou ter colegas que passaram pela situação. Na faixa etária de 15 e 16 anos, o percentual é de 78,1%.

Os números mais alarmantes da rede municipal podem ser resultado de outra constatação: nessas escolas, os alunos denunciam mais. Apenas 29,8% dos estudantes da rede municipal entrevistados pela pesquisa afirmaram não ter comunicado o bullying à direção da escola. Esse percentual é de 58,7% nas escolas estaduais, e de 46,7% nas particulares.

Já as punições são mais frequentes nas instituições particulares: em 41,3% dos casos, o agressor sofreu penalidade. Nas unidades do município, só houve castigo para os agressores em 28,9% das situações. Na rede estadual, em 21,9%.

O índice alto de alunos que se dizem vítimas pode estar associado ao nível de conhecimento sobre o problema. Do total de crianças e adolescentes abordados pelo Instituto Informa, 61,6% responderam ter recebido informações nas escolas sobre o bullying.

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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Bullying leva adolescentes a procurar cirurgia de redução de estômago

O bullying, que é a violência física ou moral no ambiente escolar, está levando adolescentes obesos a passar pela cirurgia de redução de estômago. A atitude tem deixado os médicos preocupados. Pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica revela que em 2009 foram realizadas 1,5 mil operações para reduzir o estômago em pacientes com menos de 20 anos. Foram quatro cirurgias por dia.

As “brincadeiras” destroem a autoestima. Foi assim com a filha da comerciante Magali Andrade. Ela conta que a menina sofria preconceito. “Não tinha muitos amigos, era excluída. Não se sentia bem em lugar nenhum”, conta.

A cirurgia de redução de estômago só é recomendada para quem já passou dos 16 anos e está com índice de massa corpórea (IMC) acima de 35. É o caso, por exemplo, de uma pessoa que tem 1,70m de altura e pesa 100 quilos. Para calcular o IMC é preciso dividir o peso pela altura duas vezes.

Mas alguns jovens não conseguem esperar. De acordo com o cirurgião bariátrico Roberto Rizzi, às vezes, com 80 kg, 90 kg, os pacientes vão ao consultório em busca de cirurgia aos 13, 14 anos. O motivo é o bullying.

“A nossa orientação básica em primeiro lugar é esperar o adolescente crescer o máximo possível. Muitas vezes, um paciente obeso com 13 anos, com 17 anos, dá aquela crescida rápida e se torna um jovem alto e magro”, observa Rizzi.

A bancária Thaís Moreira, de 26 anos, lembra com tristeza da adolescência. “Eu gostava de um menino com 12 anos e ele falou pra mim: ‘Se você emagrecer, eu namoro com você’. Aí, eu engordei mais ainda”, relembra.

Há um mês, Thaís fez a cirurgia e, hoje, comemora uma nova fase na vida. “Eu já emagreci 12 kg. A autoestima está lá em cima. Estou muito feliz”, revela.

Os médicos, no entanto, ressaltam que, para fazer a operação, o paciente já tem que ter tentado emagrecer.

Câmara discute prática do bullying nas escolas de Natal

Da redação do DIARIODENATAL.COM.BR

A prática do Bullying nas escolas municipais foi tema de uma audiência pública realizada nesta sexta-feira (08) na Câmara Municipal de Natal, por proposição da vereadora Sargento Regina (PDT). Na ocasião estavam presentes líderes de movimentos sociais e representantes do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (SINTE/RN), da Secretaria Municipal de Trabalho e assistência Social (SEMTAS) e das secretarias estadual e municipal de Educação.

Bullying é toda de agressão física ou verbal, feita de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um colega de turma, e ainda pode ser entendido como ameaça, intimidação e opressão. O termo bullying tem origem na língua inglesa “bully”, que significa valente. A iniciativa representa a continuidade de uma audiência realizada em março com o mesmo tema.

A vereadora Sargento Regina explicou que a intenção é aprofundar mais o debate sobre o assunto e desenvolver ações concretas no combate o problema. “Bullying é a materialização do preconceito e infelizmente a sociedade acaba produzindo monstros através da discriminação e da exclusão social”, destacou a vereadora.

Durante a audiência, o representante da Secretaria Estadual de Educação e Cultura (SEEC) João Maria Mendonça de Moura, fez uma breve exposição sobre o tema. “Vivemos numa sociedade onde os valores morais e éticos estão perdendo para os valores materiais. A escola representa o espaço para se trabalhar uma cultura de paz que possa ser assimilada pela juventude”, analisou Moura. Ele ressaltou que é preciso realizar pesquisas sobre o bullying nas escolas públicas e privadas para que o problema possa ser enfrentado com embasamento teórico.

O representante da Secretaria Municipal de Educação, José Carlos Alves, informou sobre os projetos educacionais desenvolvidos pela prefeitura de Natal. “Temos o projeto Justiça Escola que trabalha valores entre os alunos. Esta iniciativa se baseia em seis pilares: zelo, senso de justiça, cidadania, respeito, responsabilidade e sinceridade. Acredito que quando esses valores são promovidos o bullying começa a perder espaço no ambiente escolar”, afirmou.

Também participaram da audiência os vereadores Raniere Barbosa (PRB), Júlia Arruda (PSB), Rejane Ferreira (PMDB), Dinarte Torres (PV) e Adão Eridan (PR).

quinta-feira, 31 de março de 2011

CAPACITAÇÃO MAIO

O NEEP está providenciando uma capacitação para os diretores e técnicos das direds (nível médio), gestores e técnico pedagógico das escolas de nível médio com a autora do livro - GUIA PRÁTICO SOBRE DROGAS, MÁRCIA DETONI para o mês de maio, data prevista 03 e 04, em Natal. Logo entraremos em contato com cada dired.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

GUIA PRÁTICO SOBRE DROGAS

A SEEC está distribuindo com as escolas de nível médio do Estado do RN o Guia Prático sobre Drogas (conhecimento, prevenção, tratamento) de Márcia detoni da Editora Rideel, acompanha CD. O Livro teve o parecer da equipe do NEEP e CODESE. O NEEP começa o estudo para auxiliar as equipes pedagógicas das escolas para o trabalho com os alunos. Sugira e participe!!!!

INÍCIO DO ANO LETIVO

Na primeira semana de aulas, na rede estadual de ensino, o NEEP esteve presente na Escola Walfredo Gurgel, bairro de Candelária, ministrando palestras sobre Cultura da paz, Prevenção às drogas e Bullying ( Professor Vanduí Guedes, Professor João Maria e Professor Eugênio Oliveira) para alunos dos primeiros e segundos anos do Nível Médio. O ano letivo de 2011 começa com muito trabalho, palestras e reuniões na SEEC.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO ANO NOVO

FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO ANO NOVO

Um momento doce e cheio de significado para as nossas vidas.
É tempo de repensar valores, de ponderar sobre a vida e tudo que a cerca.
É momento de deixar nascer essa criança pura, inocente e cheia de esperança que mora dentro de nossos corações.
É sempre tempo de contemplar aquele menino pobre, que nasceu numa manjedoura, para nos fazer entender que o ser humano vale por aquilo que é e faz, e nunca por aquilo que possui.

Noite cristã, onde a alegria invade nossos corações trazendo a paz e a harmonia.

O Natal é um dia festivo e espero que o seu olhar possa estar voltado para uma festa maior, a festa do nascimento de Cristo dentro de seu coração.
Que neste Natal você e sua família sintam mais forte ainda o significado da palavra amor, que traga raios de luz que iluminem o seu caminho e transformem o seu coração a cada dia, fazendo que você viva sempre com muita felicidade.

Também é tempo de refazer planos, reconsiderar os equívocos e retomar o caminho para uma vida cada vez mais feliz.
Teremos outras 365 novas oportunidades de dizer à vida, que de fato queremos ser plenamente felizes.

Que queremos viver cada dia, cada hora e cada minuto em sua plenitude, como se fosse o último.
Que queremos renovação e buscaremos os grandes milagres da vida a cada instante.
Todo Ano Novo é hora de renascer, de florescer, de viver de novo.
Aproveite este ano que está chegando para realizar todos os seus sonhos!

SEEC/NATAL/SEEC/CURITIBA

visita a TV Paulo Freire/Curitiba

Chegada/Curitiba/intercâmbio


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Bons frutos

Amigos, a viagem de intercâmbio a cidade de Curitiba foi um sucesso. Com certeza, foi de rico aprendizado. Trouxemos um bom material para socializar com os nossos amigos educadores e construir um bom trabalho para o enfrentamento a violência nas nossas escolas.